BORRACHA ATUAL: Qual é o panorama dos efeitos da geopolítica internacional sobre a indústria química brasileira?
ANDRÉ PASSOS CORDEIRO: Temos um colchão de amortecimento no que diz respeito à segurança de suprimento. Esse colchão é a capacidade produtiva instalada em solo brasileiro. Colômbia não tem isso, Peru não tem isso, Equador não tem isso, Bolívia não tem isso, Venezuela muito menos. A Argentina tem limites, porque a indústria petroquímica deles perdeu muita musculatura, muita complexidade, inclusive. Então temos essa vantagem de ter um elemento de mitigação do impacto da crise sobre a produção de químicos por ter uma indústria química razoavelmente grande e diversa.
Em relação ao nosso mercado interno?
Nossa indústria química tem alguns pontos de fragilidade onde ela não tem esse, digamos assim, colchão. Onde ela não tem esse mecanismo de amortecimento e aí o efeito da crise tende a ser maior e mais direto.
Onde ela não tem?
Não tem na produção de fertilizantes nitrogenados, amônia e ureia, simplesmente, porque 85%, mais ou menos, dependendo do momento, é importado.
Não tem em metanol, porque 100% da produção de metanol é importada. Em 2006, há 20 anos, mais ou menos, importávamos 200 mil toneladas de metanol. Hoje nós importamos praticamente um milhão e meio de toneladas de metanol. Não é isso. 90% mais ou menos disso é utilizado para a fabricação de biodiesel. Estamos preocupados com o impacto no preço do diesel. Uau! Por conta da transmissão, da elevação do preço do petróleo e do impacto sobre as importações de diesel. Só que existe uma mistura de biodiesel no diesel, relevante. Acima de 20% hoje, se não me engano. E importamos metanol para fazer o diesel. Todo o metanol.
Não tem produção nacional? Isso é por falta de gás natural ou de políticas industriais?
Por falta de preço competitivo no gás natural. Você precisa de um preço de gás em torno de 4 dólares, um milhão de BTU para ser viável uma produção de metanol no Brasil. Isso não existe. E aí não existe viabilidade de plantas. Elas fecharam. A última planta que fechou, se não muito me equivoco, foi lá em 2011, 12, 13.
Foi ali, nesse início da primeira década, da segunda década dos anos 2000, agora que nós vivemos. Fechou. Rio de Janeiro. Então, veja o paradoxo, já que o Rio de Janeiro é talvez um dos maiores produtores de gás natural do Brasil.
E ainda não aproveitamos esse gás?
Queimamos. Isso poderia ser uma geração de energia. Temos um problema, um risco grande. Que é o impacto direto de preço em qualquer acontecimento. Variou no exterior, varia aqui. Havendo um rompimento na cadeia de suprimento, o Brasil fica sem produto, o mesmo vale para fertilizantes nitrogenados. A capacidade de ampliação da produção nacional ainda é muito baixa.
Neste momento não temos problema porque a indústria está num colchão de segurança. Mas e o fornecimento das matérias-primas para repor essa segurança?
Não temos motivo para repor essa segurança, pois a matéria-prima para fazer esses produtos, a nafta para fazer químicos básicos e para fazer resinas está disponível. Importamos somente 6% das resinas da região do Oriente Médio, um volume total de 3 milhões de toneladas aproximadamente.
Importamos, em 2025, 3 milhões e meio de resinas. Isso significa que temos em torno de 200 mil toneladas. Para quem conhece o mercado e o tamanho das plantas, sabe que isso, do ponto de vista anualizado, não é nada. 200 mil toneladas. Então, do ponto de vista de cadeia de suprimento, por ser este volume, não tem, do nosso ponto de vista, risco severo ao abastecimento de resinas no Brasil.
Poderemos ter algum problema localizado num determinado mês, num determinado dia, num determinado momento, alguma questão relacionada a frete. Agora, desabastecimento conceitual não. Diretamente atingidos, risco zero. Além disso, temos em torno de 7 milhões e meio de toneladas de capacidade produtiva de resina no Brasil. 35% deve estar na ociosidade.
Mais de 2 milhões de toneladas poderiam estar sendo produzidas e não estão porque o suprimento está sendo feito por importação, especialmente de Estados Unidos, Argentina e Colômbia, o que representa 60%.
Inclusive o Presidente Trump fala disso em discurso.
Por que isso é importante? Por que essas medidas são importantes? Porque produzimos a partir de nafta aqui no Brasil, onde a margem da nafta é muito apertada. Vai ficar mais apertada ainda com o aumento do preço agora, em função da variação do petróleo tipo “Brent”. Sem medidas protetivas, os americanos entrariam aqui acabando com a nossa capacidade produtiva.
Aí, teremos um problema de suprimento e um risco de segurança na cadeia de suprimento, onde não teremos margem para responder ao que eventualmente faltar, mobilizando capacidade ociosa. Isso aconteceu no metanol, isso aconteceu nos fertilizantes, em grande medida no enxofre, porque o enxofre é produzido no refino. E o refino, a margem, segundo fala a única refinaria privada e a Petrobras, que são os únicos donos de refino no Brasil, têm margens extremamente apertadas e às vezes negativas por conta do preço da gasolina, do preço do diesel no mercado internacional.
E por conta da política de preços aqui no mercado interno, temos que ter cuidado de não criar nas resinas, o mesmo problema que criamos no metanol, no enxofre e nos fertilizantes. Ou seja, saindo loucamente, baixando tarifa, revogando o anti-dumping e aí quem está aqui dentro não consegue produzir, estaríamos realizando a profecia.
Esse é o ponto central, matéria-prima, nafta. Não tem registro de bloqueio de fornecimento de nafta para o mercado brasileiro, até porque a maior parte vem do golfo americano.
Nossa situação deveria estar normal?
A nossa situação era para estar normal. Existe uma pressão altista de preço devido à variação do preço do Brent, onde e está tudo amarrado no “Brent”. Não só a nafta, como o etano, o gás natural, o uso de energia, porque o gás no Brasil, infelizmente, a maior parte do volume, 85%, é amarrada no “Brent”, entre 10% e 11,6% do “Brent”, para ser preciso.
Assim, quando varia o “Brent”, varia o gás, varia a nafta, varia o custo de produção, varia o preço final, não só das resinas, mas de todos os químicos, no mundo inteiro.
Todos saem comprando para fazer estoque com preço de produto mais baixo. Mas, repassam a expectativa no preço final do transformado, que é o que comumente vemos acontecer.
Conseguiríamos atender uma certa demanda da América Latina ou não temos competitividade de preço?
Acredito ser difícil isso acontecer, porque quem supre esses países também, boa parte das suas resinas, são os Estados Unidos. Teve uma empresa, inclusive, que aumentou, não tem registro nenhum de corte de suprimento. Essa empresa norte-americana aumentou em mil dólares nos últimos 15 dias o preço de uma determinada resina. Os traders estão aumentando significativamente os preços, mas não estão deixando de suprir.
O que é possível ser feito no médio, no curto prazo, em ano eleitoral, para sobrevivermos e chegar até 2027?
O trade-off sempre é entre ter segurança de suprimento e ter a sedução de um preço baixo em um determinado contexto. Sempre é, para qualquer país. Quem está no mercado consumindo não quer saber disso, quer importar pelo menor preço, quer adquirir pelo menor preço, então a pressão sempre será para abrir e abrir e abrir.
Se o governo não se mantiver nessa posição de valorizar nesse cenário de excesso de capacidade de produtos químicos no mundo, excesso de ociosidade por conta disso, e aí uma briga por mercados, porque se você tem uma planta parada com até 50% de ociosidade, como em alguns casos na China, o que você faz? Sai procurando loucamente mercado para vender.
Se não consigo vender dentro de casa, já ocupei todos os meus canais de exportação, vou para onde? Vou para os mercados onde ainda não tenho fatia. E é isso que está acontecendo no Brasil, não só em resina, mas em todos os produtos. Então, os Estados Unidos estão desovando resina aqui no Brasil, polietileno especialmente, China, outras resinas fenólicas e etc., e outros produtos químicos, tentando tomar o mercado brasileiro, com preço abaixo de custo de produção, uma estratégia de monopólio, eles agem como um monopólio.
Vou baixar o preço, segurar a minha margem, às vezes até operar com margem negativa, tomar o mercado e depois resolvo o que eu faço. Pelo menos estou desovando capacidade ociosa, capital que não está me dando retorno, investir. É isso que está acontecendo.
Então, o que o governo fez? Vou levantar uma defesa, porque essa situação pode destruir a minha capacidade instalada dentro do Brasil. O governo optou, em certa medida, estrategicamente, por defender a existência de uma segurança na cadeia de suprimento para enfrentar esses ciclos críticos.
Essas guerras e pandemias e investimentos malucos que a China faz. Uma das razões da China ter investido tanto é especulação imobiliária. Um chão, um terreno, vale muito menos sem uma fábrica do que com uma fábrica em cima. Então, o governo optou, a partir do alerta da Abiquim, por essa política do regime especial da indústria química mais intenso. Boa parte do regime especial ajuda as empresas produtoras de resinas termoplásticas.
Paga-se sete vezes o preço do gás natural no Brasil. Importa-se 60% da nafta brasileira. Paga-se no mercado interno, nafta a preço de Europa mais alguma coisa. Então, a carga tributária sobre esse negócio na aquisição dessa matéria-prima não pode ser a mesma desses outros países. Então tem que diminuir.
A crise vai se agravando, temos problemas de competitividade dentro do Brasil sistêmicos que não tem nada a ver com o setor, alguns tem, outros não, não conseguimos decolar em escala em razão desses gargalos regulatórios e de preço de matéria-prima, inclusive. Então, ou mudamos esse negócio, ou vamos precisar de mais porque a crise será pior, ela está escalando com a guerra da Rússia-Ucrânia e a guerra do Golfo Pérsico.
Como está a situação dos pneus?
Ajudamos a Anip desde o início nessa pauta, assinando o manifesto, porque o problema deles é o mesmo do nosso. Só que muita gente fez um monte de manifesto contra e agora está correndo risco de não ter a cadeia de suprimento de pneu.
Então, não tem risco nas resinas, no curtíssimo prazo não tem. Agora, se continuar essa loucura de corrida ao balcão para evitar preço, impacto de preço, pedindo volumes muito além do que a programação anual, normal, os indicadores de demanda apresentam para fazer estoque de produto, para evitar eventualmente ter que comprar lá na frente na programação normal com um preço maior, dado o comportamento do “Brent”, se continuar, aí desequilibra o sistema de suprimento.
Tecnologicamente, nossa indústria está preparada ou está defasada?
Desafio duríssimo. Agora temos que ter cuidado, os players. O mercado tem que ter cuidado para não parar na mesma situação que o agro está diante dos fertilizantes. A mesma situação, pode parar na indústria de borracha, pode parar na indústria de pneus, na mesma situação que o agro esteve.
O próprio vice-presidente Alckmin disse que não há muitas medidas novas a adotar, mas manter as que estão aí. Tem uma na qual o governo poderia atuar, e já está atuando, mas deveria acelerar o ritmo, que é criar condições para rapidamente o preço do gás recuar.
O preço do gás está sob controle do Governo?
Isso mesmo, está na mão do governo, CNPE, Petrobras, que é uma empresa onde o governo é sócio majoritário e a tributação na aquisição do gás natural também, que é fonte de energia para todo mundo. O preço não cai porque as soluções regulatórias adequadas não são implantadas. Por exemplo, definir uma metodologia para precificação das infraestruturas de escoamento e processamento de gás. Hoje não tem isso.
No programa Gás para Entregar foi discutido isso. Fazer definitivamente o leilão de gás da União, que está na mão da PPSA, empresa criada pelo governo. Também não fez isso ainda. Tem que ser feito do jeito certo, mas é um importante caminho de solução que pode desafogar custos aqui dentro.
A estrutura de produção e distribuição do gás aqui no Brasil está completa?
Não, tem bastante para ser feito ainda. Tem a Rota 4, Rota 5, Rota 6 e a Rota 7 para serem feitas. Tem muita infraestrutura para capturar. CEAP, Sergipe Alagoas, que agora finalmente saiu a licitação, é uma importante fonte de gás natural. Deveria ter sido feita há um bom tempo atrás, mas felizmente agora finalmente decidiram licitar. E tinha um desafio ali que era o nível do preço do petróleo, para viabilizar a exploração. A Petrobras disse publicamente, inclusive, parece que foi superado.
Tem coisas para fazer para aumentar a oferta de gás no Brasil e o aumento de ofertas também tende a reduzir o preço. Se não tiver comportamento de monopólio, e aí comportamento de monopólio é assim, gira o registro ali para o volume, para nivelar o volume e aí organizar o preço também. Isso é comportamento de monopólio. Mas se der vazão a esse gás, aí o preço também tende a cair no médio prazo.
Existe possibilidade de novos investimentos na indústria química?
Sim, a sinalização da Petrobras de retomar Três Lagoas. Então ali, enfim, sozinha, se não me equivoco, dá uns 10, 15% da demanda de fertilizantes do Brasil, o que ajudaria bastante.
Na petroquímica, a Brasquem sinalizou e está fazendo a engenharia na duplicação da planta em Duque de Caxias, que é uma planta à base de gás, produz eteno a partir de gás natural, propileno a partir de gás natural. Vai dar uma competitividade. Ela será duplicada.
E tudo isso quem ajudou foi a melhoria do regime especial da indústria química porque ali também tem desoneração de investimento, desoneração de Pis/Cofins de investimento. E lá na frente tem créditos financeiros para investimento também. Então, está tendo alguns anúncios de investimento, sim.
A política da indústria química vai continuar sendo seguida como uma política de Estado e não como uma política de ocasião?
É para isso que estamos trabalhando. Não temos condição de fazer uma análise de risco, de continuidade, nesse exato momento. Um pouco mais para frente, talvez, tenhamos a partir das declarações de cada um dos candidatos. Esse governo tem implementado uma política industrial e tem atendido os nossos pleitos de defesa comercial e de incentivos com desoneração tributária para investimento e para aquisição de matérias-primas para transformação.
Agora tem um elemento aí que são as pressões que acontecem o tempo inteiro. Então, há casos em que vimos os pleitos da indústria química sendo atendidos e há casos em que não. Nós, por exemplo, pedimos 60 grupos de produtos para elevação tarifária, foram elevados 37. Então, tem setores que ainda estão expostos a essa situação crítica no mercado internacional.
Os principais foram atendidos, isso é bem verdade, mas alguns ficaram de fora. É uma política que ainda está em construção. Toda política que está em construção, isso é recente, industrial, corre o risco de ser descontinuada.
O Presic e o Reic são previstos legalmente e eles foram iniciativa do Congresso Nacional. Isso, tem um nível de segurança razoável, foi o próprio Congresso que aprovou.
E aí, qualquer governo que estiver, ele vai ter que enfrentar o Congresso e fazer qualquer alteração ou descontinuar essa política. A nossa expectativa é que este fato, principalmente independente do governo, que é um posicionamento muito favorável do Congresso, algo que a indústria necessita, em particular a química, mantenha como política de Estado.
Acredito que o que consolida uma política de Estado, hoje em dia no Brasil, e em muitos países, é a decisão parlamentar, a decisão do Congresso.
A gente acha que muda tudo de quatro em quatro anos, ou pode mudar tudo de quatro em quatro anos, mas se a gente analisar muito de perto, o que a gente vai ver? O que pode mudar significativamente é a visão do poder executivo. Agora, no Congresso, o que vemos é uma composição razoavelmente estável, de bloco
Existe possibilidade de algum crescimento nesse ano e nos próximos anos?
Nesse ano, temos mais de um bilhão programado em investimentos com aumento de capacidade produtiva, investimentos de modernização de planta que aumentam a produtividade, tornando as plantas mais seguras e mais sustentáveis. Teremos uma elevação de capacidade produtiva no médio prazo. Esses investimentos em muito vão dar efeito a partir daqui a dois, três anos.
Estamos numa trilha de retomada de investimento e aumento de produção por conta dessas desonerações que aconteceram na aquisição de matéria-prima e no investimento.
Por outro lado, a gente tem um cenário internacional extremamente desafiador, para falar o mínimo, de margens cada vez mais comprimidas que resultam em resultados bem apertados das empresas petroquímicas brasileiras.
A gente viu aí o resultado da Braskem, não é ela só, várias outras, o Nigel, várias outras estão desafiadas por margens curtas.
Então, os sinais são contraditórios, é difícil dizer hoje qual é o ganhador desse processo.
Acredito que o futuro depende, em alguma medida, sempre de nós. Há, evidentemente, um peso muito grande hoje dos aspectos que independem de nós, especialmente provocados por um cenário de sucessivos conflitos como o da Rússia e da Ucrânia, agora tem o conflito no Oriente Médio. Isso tem virado uma constante e cada vez mais com um tempo mais curto entre um e outro. Isso depende do Brasil ou da nossa vontade e afeta todas as variáveis. Todos eles, em geral, têm a ver com suprimento de energia.
Do ponto de vista de energia ofertada, nós estamos muito bem. 80% sustentável, oferta maior que a demanda. O nosso problema é preço.
A nova geopolítica mundial trará consequências para o Brasil?
Exato. O que depende de nós nesse cenário? Adotarmos as medidas corretas para reagir ao cenário global da forma adequada e no tempo certo. Adotamos a defesa comercial, usando uma analogia do boxe, nós levantamos a guarda. Se você estiver com a guarda baixa, vai levar um cruzado direto e vai ao chão por nocaute.
Temos alguma defesa agora com a guarda alta?
Nós nos defendemos, foi a reação correta, elevou a tarifa para 37 grupos de produtos ameaçados por margens curtas em função de excesso de capacidade no mundo. Aplicamos medidas, sanções a crimes concorrenciais, que eu chamo isso de crime concorrencial. A OMC estabelece a aplicação de uma sanção na forma de medida anti-dumping, por exemplo, quando há uma prática desleal. Isso também foi sendo feito em vários produtos químicos, não só em resinas, mas também em etanolaminas, em fenol, que teve provisório, depois voltou atrás, talvez recupere agora. Temos, não só na química, mais de 160 medidas anti-dumping aplicadas no Brasil hoje.
Estamos preparados para responder rapidamente a essas demandas?
Ainda demora um pouquinho para responder, ainda demora, esses processos levam um ano e meio, no mínimo, para se efetivarem. Isso é um tempo, num cenário que escala rapidamente como o nosso internacional hoje, é um tempo muito longo.
Existem 30 medidas, mais ou menos, anti-dumping aplicadas. Ou seja, em 30 produtos, falando genericamente, detectamos práticas criminosas de comércio internacional. Venda de produto abaixo do custo para tomada agressiva de mercado, destruição de capacidade produtiva e depois prática de preços mais elevados ainda do que os anteriores.
Identificamos, as empresas identificaram e agiram no tempo certo, mas tiveram que começar bem cedo. As tarifas também, começamos lá atrás, há dois anos, há um ano e meio, dois praticamente, no primeiro grupo de produtos e agora há uns quatro meses no segundo grupo.
Então podemos dizer que nós estamos colhendo os frutos agora?
Em grande parte. E o Presic-Reic, que começamos no início, na metade de 2024, a conversar com o governo. Conversamos, tivemos uma reunião com o presidente Lula, com todas as empresas petroquímicas mais importantes no nosso comitê executivo em maio de 2024 e fizemos várias reuniões com a área econômica do governo. Apresentamos um projeto de melhoria do regime especial e de criação de um novo programa a partir de 2027, o PRESIC lá em 24, justamente por saber desses longos tempos de maturação. E depois levamos ao Congresso no início de 2025.
Então a frente parlamentar da química ajudou bastante?
Ajudou demais, muito. Tudo isso para quê? Para termos um complexo petroquímico dentro do Brasil capaz de minimamente resistir a esse choque.
Ainda somos o sexto maior produtor químico do mundo. Agora, precisamos de gás. A agenda de gás não está resolvida. Essa é uma agenda necessária. Precisamos especialmente de líquidos do gás como: etano, propano, butano, as correntes C2, que é o que a indústria moderna usa, que é a matéria-prima que provê o menor custo de produção de químicos no fim da linha. Então é nisso, que temos que ir, sem abandonar a nafta, porque a nafta produz aromáticos como o benzeno.
Ouvi de um grande especialista da Dow Jones que, incrivelmente, o Brasil, por preservar sua capacidade produtiva a partir de nafta, hoje pode estar em uma posição melhor do que players que foram integralmente para o gás como os Estados Unidos.
Se conseguirmos ir para o gás sem perder essa capacidade de produzir aromáticos a gente vai ter um modelo interessante no Brasil.
E se conseguirmos aumentar o nosso refino a ponto de ter mais nafta internamente, teremos um padrão muito interessante vis-à-vis com a China, que é um país carente de eteno, importando esse eteno dos Estados Unidos, devido a sua carência de nafta. Ela é importadora líquida de nafta e de eteno.
Essa seria uma oportunidade para o Brasil?
O Brasil é importador de nafta, mas tem petróleo que se ele refinar, terá nafta para subir toda a sua indústria. E tem gás que, se ele separar os líquidos do gás, vai conseguir ter gás para suprir a sua indústria petroquímica com folga. Então, esse é o desafio diante de nós agora.
Nesse cenário em que o mundo escolhe a resiliência, a resistência da cadeia de suprimento nacional, o Brasil tem que fazer essa escolha agora. Agora é a hora. Já devia ter feito, mas agora é a hora.
Esses investimentos serão públicos ou privados, majoritariamente?
Esses investimentos serão privados, o investimento no refino pode ser privado, mas tem que equacionar um modelo no refino, ter um operador dominante.
Então, desse ponto de vista, a ampliação de refino hoje depende em parte do governo, porque a Petrobras é a grande refinadora no Brasil. E no gás também, ampliar a infraestrutura de escoamento e processamento também depende da Petrobras. Então, em certo sentido, tem uma parte pública. Temos que ressaltar esse desafio faltante e também na agenda do gás natural, temos que evoluir rapidamente, muito rápido.
Alertando que o Brasil anualizado tem capacidade de resistir a qualquer impacto, em particular, no mercado de resinas e de elastômeros. A qualquer impacto, vindo daquela região do Oriente Médio, do ponto de vista de volume de consumo.
Rodrigo Navarro é economista, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutorando em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade Federal de Brasília. Fluente em inglês e espanhol. Lê em francês.
ABIQUIM: membro da Comissão de RelGov da Abiquim desde o início e vice coordenador desta em 2018. Acompanhamento e colaboração na estruturação da Frente Parlamentar da Indústria Química.
ABIPLAST e CNI: representante das en

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